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“Devolva ao povo o que o golpe semeou”: Maria do Rosário responde a carta de Temer

“Devolva ao povo o que o golpe semeou”: Maria do Rosário responde a carta de Temer

A partir de sua carta a alguns parlamentares, tornada pública pelos meios de comunicação, minha indignação me leva a escrever ao senhor. São muitos os que me aconselham a lhe dizer que é impossível sua permanência no governo. Não é justo para com o Brasil e seus cidadãos e cidadãs, que enfrentam dificuldades econômicas sem ceder em sua honestidade e dignidade, que no mais alto posto da República encontre-se alguém sobre quem recaem tão graves imputações.

 
Não devemos ceder à sede de um estado policial, que foi urdido ao mesmo tempo em que o senhor e seus aliados preparavam um golpe desleal e antinacional contra a presidenta Dilma e o Brasil. Mas não é por este motivo que seus atos têm vindo a público. Afinal, o senhor, falando em torpezas e vilezas? Somente diante de um sincero pedido de desculpas ao Brasil que lhe elegeu para o posto de vice-presidente, e que não merecia ver a democracia destroçada por sua sede de poder, poderíamos dar ouvidos às suas palavras sobre “conspiração”.

 

Torpe e vil foi o golpe contra o voto dos brasileiros e brasileiras e contra uma mulher que tem sua vida marcada pela dignidade.

 

Aliás, o Sr. fala em sua carta sobre “conspiração”. Somente se esta for de todo o povo brasileiro, que se manifesta por diferentes maneiras dizendo que não o quer no poder. Indignação? Quem está cheio de indignação é a sociedade, cansada de suportar todos os sacrifícios.

 

Vinte anos de congelamento de investimentos sociais, desmonte da legislação trabalhista, uma reforma da previdência que atinge quem mais precisa, o definhamento da política de habitação, o fim da Farmácia Popular, do Ciência Sem Fronteiras, a desestruturação do Sistema Único de Assistência Social, os cortes orçamentários drásticos nos Institutos Federais e Universidades, no Prouni e no Fies, e um grande conjunto de políticas públicas importantes. Quem está indignado é o estudante, o aposentado, a trabalhadora e o trabalhador do campo e da cidade, os servidores públicos, o povo!

 

A Nação sabe que, no que diz respeito às graves denúncias envolvendo seu nome e de seus ministros, que não se tratam de perseguições, mas de malas de provas e contas recheadas de indicações. Só existe um voto possível para os deputados e deputadas: SIM. Todas as suas responsabilidades devem ser apuradas. E não é digno que a Câmara dos Deputados curve-se mais uma vez a seus interesses e de seus sócios, colocando o lixo de agentes públicos embaixo do tapete do Salão Verde.

 

Jamais poderia acreditar que o Brasil viveria tamanho retrocesso político, econômico, social e cultural. O país antes respeitado no cenário internacional agora vê iniciativas internacionais fragilizadas e subservientes.
Seus atos e dos que lhe apoiaram levam o país perigosamente ao caminho do desgaste da democracia e crescimento do ódio e das propostas autoritárias que rasgam a Constituição. Foram abertas as portas do ódio, da intolerância e de fundamentalismos que hoje permeiam todas as áreas da vida nacional. O país voltou para o mapa da fome e para o trabalho escravo, os trabalhadores perdem seus direitos, a economia não se desenvolve e a democracia, essa senhora tão desrespeitada em nossa história, volta a ser alvo.

 

Não há outra solução além de acatar todas as investigações com transparência, liberar seus sigilos, renunciar a seu cargo e convocar eleições diretas imediatamente. Devolva ao povo aquilo que o golpe sonegou: o destino do Brasil, uma vez que o programa que estás aplicando é aquele que perdeu as eleições em 2014.

 

Na certeza de que o que mais interessa é o futuro do Brasil e não os seus interesses ou de seu grupo de manutenção do poder, despeço-me informando que o único caminho honrado ao Parlamento brasileiro é votar pelo acolhimento da denúncia e o mais amplo processo de investigação.

 

Maria do Rosário, deputada federal (PT-RS)

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